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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

1. Normal para mim, estranho para os outros

Caminhava lentamente pelo jardim de minha casa.
Hoje o céu estava azul, sem uma nuvem para atrapalhar a beleza de um dia maravilhoso de verão.
Minha família estava se divertindo ao meu redor, aproveitando o maravilhoso dia.
Eu não participava das brincadeiras. Estava distraído com o céu e com meus pensamentos.
— Alec! – chamou-me minha irmã gêmea Jane.
Nós havíamos nascido no dia 21 de dezembro de 1.450, na véspera do solstício de inverno no hemisfério norte.
Dizem que na véspera de algum solstício a barreira entre esse lado e o Outro Lado fica mais tênue.
Quando nos mudamos para cá (nós não nascemos em Toscana, mas nosso pai decidiu se mudar de nossa cidade natal – Florença – porque lhe lembrava nossa mãe que morrera no parto. Outro motivo para as pessoas acharem que éramos bruxos. Não estavam totalmente erradas.) o pessoal local que era extremamente crente em tudo o que ouviam nos repudiaram. Só por esse fato idiota.
Tudo bem, não só por esse fato. Havia outros motivos para todas as pessoas nos olharem atravessado.
O nome Michaella me veio em mente para me lembrar que nem todas as pessoas me olhavam desconfiadas. A exceção era ela, minha melhor amiga desde que cheguei aqui.
Michaella não ligava para o que as pessoas diziam. Ela me aceitou desde o primeiro dia em que a vi no jardim de sua casa, que por sinal era do lado da minha.
Jane e ela também se davam bem. Jane a chamava de cunhada, achando que eu um dia iria me casar com ela.
Talvez, mas no momento éramos só amigos. Provavelmente por minha culpa. Se eu a pedisse, ela poderia aceitar.
Eu só não a pedia porque não queria estragar nossa amizade.
Um dia...
— Alec! Está tão distraído, meu caro irmão. – Jane disse
— Concordo. – disse meu pai em frente à porta que separava a casa da área de lazer. Ele estava de mãos dadas com minha irmã mais nova, de apenas três anos.
Karina não era nossa irmã sanguínea. Ela fora adotada quando ainda era um bebê com dias de idade, mas isso não influenciava em nada em nosso amor.
— Venha aqui, Karina. – disse para ela que soltou a mão de papai e veio correndo até mim.
Ela pulou em meus braços e recostou sua cabeça em meu ombro.
— Então, querido filho, posso saber o motivo de tanta distração?
— Não há nem um motivo.
Ele estreitou os olhos, mas não fez mais perguntas.
Papai nunca mais foi o mesmo depois da morte de nossa mãe. Só melhorou quando encontrou Karina em uma cesta em nossa porta. Ela despertou o amor em seu coração.
Suspirei e encontrei os olhos grandes e taciturnos de Jane.
— O que foi? – lhe perguntei.
— Nada.
Dei outro suspiro e voltei a olhar o céu.

Quando as sombras começaram a nos tocar, nós encaminhamo-nos para nossa casa vitoriana.
Nossa família era de classe alta, então podíamos ter todos os luxos que queríamos (papai era um burguês poderoso).
Só não esperávamos que isto pudesse mudar um dia.
***
Depois de jantar – um farto jantar, com muita comida para poucas pessoas que iriam comê-la – fui tomar um banho.
A água quente caia por meu corpo e me acalmava.
Após o banho fui ao quarto de Karina e de Jane para contar uma historinha de dormir e dar um beijo em minha irmã mais nova.
Jane ficou me olhando enquanto eu contava a história. Seu olhar era preocupado e parecia procurar mudanças em mim.
— Posso saber o que está olhando, Jane?! – ela balançou a cabeça e me dispensou com um aceno.
Fui para meu quarto e deitei em minha cama.
A janela estava aberta e as cortinas esvoaçando.
Assim que deitei o luar fez minha pele ficar mais branca do que já era.
Se eu me olhasse no espelho veria um garoto de 14 anos de cabelo castanho escuro e olhos de um tom amendoado. Um garoto normal.
Normal para mim, estranho para os outros.

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